terça-feira, 18 de agosto de 2009

É tudo relativo!




Este vídeo mostra bem a realidade dos media portugueses.


A SIC está a seguir a pisadas da TVI e todos sabemos que são os canais com maior audiência em Portugal, daí a minha preocupação. É que se antes ainda havia alguma tentativa da SIC em ser imparcial, agora isso já não é uma característica predominante nas notícias que transmitem.


O vídeo acima exposto é o exemplo disso mesmo. Sei que o vídeo pode parecer longo, tem cerca de nove minutos, mas garanto que vale a pena ver. Mas vejam com espírito crítico e tentem perceber a manipulação por detrás de cada comentário, principalmente dos fiscalistas.


Bem, num pequeno resumo: o vídeo é uma reportagem da SIC a falar sobre as medidas do governo para tentar acabar com as desigualdades sociais. Para quem tem estado menos atento, o governo está a propor subir os impostos dos mais ricos para que os mais pobres possam "respirar" um pouco.


Acredito que a maior parte das pessoas aceite de bom grado esta ideia, no entanto, os media fazem tudo para desacreditar o governo. Até nesta medida, as reportagens assumem um tom de crítica em relação ao governo.


Ora, vejamos... A SIC foi buscar alguns fiscalistas para falarem do assunto. O Dr. Diogo Leite Campos foi um deles e o homem é uma autêntica nulidade no campo. A primeira intervenção dele é desastrosa e mostra que não tem conhecimento do país em que vivemos. Reparemos nestas frases proferidas por este senhor:


"Será que se pode dizer que 5800 por mês é muito?
5800 euros por mês em qualquer país europeu é classe média baixa."


Sim, mas em Portugal, 5800 euros por mês é muito mais do que a maior parte das pessoas sonha sequer em ganhar. É classe média alta no nosso país. Este tipo de rendimento pode ser considerado médio baixo noutro país europeu, mas não estamos a falar dos outros, estamos a falar de Portugal. Portanto, o senhor ter estas saídas mostra bem que o seu conhecimento sobre o que se passa no país é escasso.


Infelizmente, esta reportagem não se fica pelas asneiras do dito fiscalista, os jornalistas tentam puxar ao máximo as críticas ao governo, fazendo crer que os ricos são uns tristes.


"Sócrates quer 'carregar' nos mais ricos, castigá-los.", diz o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho.

"Ser rico é ter liberdade de escolha", diz o outro jornalista.


Terminam com a frase "É tudo relativo". Claro, claro... sobreviver com 200 euros de reforma pode ser considerado uma mordomia por alguns. Talvez pelos habitantes de Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo... ou então por estes fiscalistas.


Enfim, foi a pior reportagem que vi nos últimos tempos. E custa ver um canal sério como a SIC descer a este nível.


Cumprimentos,
Raquel

Um comentário:

ALberto disse...

Chamar a esta reportagem, como tendenciosa, e dizer que a SIC caminha para o lado da TVI, não só é redondamente falso, como das duas uma:
- Ou é 'agente' do partido no Poder
- Ou mostra uma total ignorância, não só sobre imparcialidade jornalística, mas acima de tudo, no assunto que escolheu.

«Acontece que 50% dos agregados portugueses não pagam IRS; e que os 30% a seguir pagam uma taxa efectiva de imposto inferior a 4%. Isto resulta em que 80% dos agregados pagam apenas cerca de 7% de todo o IRS cobrado. Do outro lado estão 12% dos agregados, que pagam 80% do total. Ou seja, os mais desfavorecidos já não pagam.»
in : oinsurgente.org/2009/04/16/demagogia-esquerdista-sem-contas-feitas/

E se fizesse as contas, veria que para estar neste 'lote' de 'ricos', basta um casal em que ambos os membros tenham um salário na ordem dos 1500 Euros. (Como é vantajoso o divorcio...)

Nos últimos 30 anos, a única vez que me lembro do assunto Impostos sobre Rendimentos, ter sido tratado com um mínimo de seriedade foi na altura das eleições de 2001.

A verdade é que neste País a grande maioria da população (uma parte por fraude, é verdade) não paga IRS. Quando muito vem descontado no seu recibo todos os meses, e recebem-no no ano seguinte. Mas isso é culpa de um estado mamão, e de todos nós que deixamos que este seja o rumo do nosso País.

Lembre-se que este foi o Governo que subiu +2% do Imposto que mais afecta toda a população de forma cega, e que lesa seriamente as classes mais baixas, além de prejudicar seriamente a competitividade da nossa economia.
E não fosse isso por si só já grave, ainda acresce que estes 2% foram acrescidos a um nível de imposto já elevado, que quem tomou essa decisão(de 17 para 19) sabia ser um mal absolutamente necessário, depois do descalabro da governação Guterrista, mas sabia também que não poderia ser mantido por muito tempo, sob pena de se tornar mais prejudicial do que benéfico..

As frases e ideologias de «Tributar mais quem mais ganha» , «Impostos sobre grandes fortunas» e outros disparates assim, são muito bonitos, e ideologicamente muito atraentes, mas apenas servem para enganar quem não sabe, ou quem prefere ignorar a realidade e a história recente...

Já quanto à existência de parcialidade na TVI, enfim, inclina-me efectivamente para que o caso aqui se trate de ser a 1.a hipótese...
A RTP desde o tempo da PREC que não era tanto um órgão ao serviço do Executivo.
A SIC, apesar de como muita gente gosta de lembrar, ter na sua base um dos fundadores do PSD, a verdade é que à muitos anos, ás vezes tenta tirar o lugar à RTP nesta questão. Embora esteja convicto que até nem tem a ver com a sua estrutura accionista, que acredito não interfira, mas sim com esta habitual simpatia dos media pela esquerda (vide BE, partido praticamente construído pela força dos media).

Nesta verdadeira asfixia em que se vive, a realidade é que a TVI (até Julho) foi conseguindo alguma imparcialidade, mas desengane-se... Aqui e ali, foi igual ás demais..