Boas,
Antes de começar devo dizer que ando ultimamente meio away destas andanças, mas espero que com o tempo volte a me animar e iniciar uma nova era, de como "x" e "y" pessoas dizem que sou, que é critico excessivo e idealista utopico.
Contudo neste post, vou aproveitar um pensamento de uma pessoa que se da pelo nome de Hiryu no forum do btnext, e em que passo a citar:
"OK, eu já disse muito mal do Sócrates.
E já terei dito algum bem.
Mas agora estou apenas confundido.
Com o descalabro da situação do sistema financeiro mundial, o nosso governo apresentou o novo orçamento de estado, um que segundo Sócrates foi feito para enfrentar a crise que aí vem.
Bem, eu concordo com isso. Aplaudo.
Mas de repente reparo que o orçamento enfrenta a crise deixando caír o défice seguro, ou seja, deixa de se preocupar com a fronteira que nos apertou os tomates durante os últimos anos, endividando o estado e aumentando a diferença entre as receitas e os gastos.
Ora a curiosidade é que subitamente em ano de dita "crise", em que nos dizem que o futuro será muito mau, o orçamento prevê o primeiro aumento de ordenados acima da inflação em muitos anos. Ao mesmo tempo, foi hoje anunciado que serão descongeladas e aumentadas as pensões dos escalões mais altos (are you fucking NUTS?!) da função pública. Dias atrás, o governo assegurou 21 biliões de Euros para garantir as nossas poupanças e investimentos, caso haja bancos Portugueses a comer poeira.
O que muito me intriga é efectivamente de onde raio saíu em menos de meio ano todo este dinheiro que supostamente não tivemos ao longo destes anos.
Reparem que ao contrário do que poderão dizer na oposição, a ideia de aumentar abonos e ordenados acima da inflação é uma medida que pode provar excelente. Na verdade, considero que a política de congelamento de ordenados ou crescimentos abaixo da inflação dos últimos anos tem sido perfeitamente ridícula e digo-o por uma razão simples: porque QUEM TEM DINHEIRO VIVO RECORRE MENOS AO CRÉDITO!
Mas é preciso um tipo tirar doutoramento para perceber que se os ordenados aumentam é FALSO que desça a competitividade de uma empresa?
É uma falsidade de todo o tamanho porque se na generalidade os ordenados aumentarem, os produtos de uma qualquer empresa são mais facilmente vendidos do que se o pessoal estiver teso. Aí deixam de comprar e pouco importa a competitividade: não se vende. Parecem todos ter-se esquecido que o que tornou o modelo T da Ford um sucesso foi o Ford pagar aos funcionários o suficiente para eles próprios comprarem o maldito carro, de modo que o dinheiro nem saía da Ford: os ordenados voltavam a entrar e o Modelo T tinha então um custo real perto de... zero.
Então a coisa mais inteligente que este e qualquer outro governo fez nos últimos dez anos foi, em vez de andar a mamar na real pixa bancária dando subsídios e perdão de impostos, tirar às pessoas as razões para recorrerem ao crédito.
Se a política de aumentos reais dos salários tivesse sido seguida na última década, seriam potencialmente milhares os créditos que não estariam em situação de mal parado, porque os ordenados das pessoas poderiam pelo menos ter acompanhado aquele vampiro gigantesco que é a EURIBOR!
Mas naaaaaaaaaao! Porque raio? É deixar o pessoal teso! Eles recorrem ao crédito, pagam com juros e o estado arrecada parte dos lucros dos bancos. Pois é, mas agora foderam-se os tipos que ficaram sem casa, os bancos que ficaram com casas que ninguém quer, e os governos que têm de os alimentar à palhinha!
Então digo-o e repito-o: aumentar ordenados reais e abonos, etc., é a melhor maneira de as pessoas continuarem a consumir, logo a manterem as empresas a funcionar, sem recorrerem ao crédito. E sempre foi a melhor maneira.
Mas aqui é que a porca torce o rabo.
Se eu não tenho problemas com a medida e a apoio... afinal que problema tenho eu?
Bem, tenho o problema de o dinheiro subitamente existir quando não existia há um ano atrás quando os indícios começavam a aparecer, quando a economia já abrandava, quando uma e outra vez os indicadores apontavam para o endividamento insuportável das famílias Portuguesas.
Então por que irresponsabilidade não foi o recurso excessivo ao crédito evitado nos últimos anos, para ser remediado apenas agora que o caldo já transbordou?
É que quando se injecta dinheiro na economia enquanto ela cresce, então ela mantém-se em crescimento, mas injectar este dinheiro ao mesmo tempo que as pessoas têm receio pelo futuro pode ser tarde demais e em vez de gastarem, as pessoas pouparão o dinheiro: a economia pode mal ser afectada.
Se em nada quisemos prevenir uma crise a vários níveis previsível, então que distingue afinal este ano dos outros?
Serão a crise ou as eleições?
O que move este orçamento apesar de tudo "bom"? É que se é a crise, fixola, mas se são as eleições, é caso para perguntar que margem de manobra terá o governo em 2010 se a crise se prolongar?
Incapaz de aumentar ainda mais o défice, logo sem dinheiro para aumentar a despesa e as receitas sem aumentarem (com economia parada, só aumentariam se a carga de impostos se tornasse maior), estes gastos neste momento podem ser catastróficos e em 2010 voltaremos a uma austeridade ainda pior.
Então digam lá de vossa justiça: este orçamento parece-vos um orçamento de crise ou eleitoralista?
Hiryu"
Neste magnifico momento de inspiração de Hiryu quero salientar um ponto ou uma pergunta, como quiserem entender.
Qual é a motivaçao que um trabalhador normal tem, quando sabe que o seu poder de compra ( para materiais, melhor qualidade de vida, etc) é miseravelmente pouco?
Que tipo de sentimento um trabalhador pode ter ao ver o seu mesmo trabalho a ser mais renumerado em outros paises, devido a politicas de igualdade, de distribuiçao salarial e ate mesmo da fiscalização dos "patrões"?
Qual é a postura que uma pessoa tem ao saber que o seus impostos vao para hospitais publicos nos quais somos melhor tratados nos privados? Impostos que vao para tribunais que são parciais e que so funcionam para "peixe miudo"? Impostos que vao para um sistema educacional onde nao passa disso mesmo, um sistema? Impostos que vao para os politicos melhoram a nossa qualidade de vida,( supostamente) so que em vez de disso, melhoram a vida de poucos em troca do sofrimento de muitos?
E como ultimo pergunta, quem é o responsavel por esta clara evidencia de corrupção, fosso entre ricos e pobres , demagogia, incompetencia?
Eu acho que a resposta esta quando você se vir ao espelho. Da proxima, vota com consciência, mesmo que seja em branco. E não pares nunca de lutar pelos teus direitos, por uma vida melhor e te cumprires os teus deveres como cidadão.
Sinceramente,
B2R.
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2 comentários:
A visão de Hiryu é simplista.
É um facto que há uma politica generalizada de baixos salários, e estou certo que sobretudo nas micro e pequenas empresas tudo começa com más práticas generalizadas.
Existem demasiadas empresas e profissionais, que aceitam trabalhos por valores irrisórios, para as condições em que o podem praticar. E depois a única forma de compensar, é aumentar a carga horária dos funcionários (e até do próprio empregador) e praticar baixos salários.
Por sua vez, pelo baixo salário, terão de contratar gente não qualificada, o que irá contribuir para uma menor produtividade, logo, menos valor produzido.. (estão a ver a espiral?)
Os salários não vem de um poço sem fundo, de onde podemos tirar mais.
É aqui que a teoria do autor, falha em toda a linha.
O seu raciocino seria semelhante a defender que o Governo duplicasse o número de notas e moedas emitidas, e entregasse a cada cidadão um montante igual ao que já dispunha antes.
Esta pratica apenas conduziria a uma inflação monstruosa. Pois o valor teria sido diminuído para metade.
Felizmente, enquanto estivermos no Euro, esta prática é impossível.
Se me perguntarem se há injustiças, claro que há! E abusos e muito mais.
Mas o que existe sobretudo é uma ausência total de fiscalização e verificação do cumprimento da lei.
Não passa de retórica e populismo, os ataques da esquerda ás 2 últimas alterações ao Código do Trabalho. (Embora não tenha dúvidas, que se Bagão Felix tivesse feito aprovar em 2004 o Código de Trabalho aprovado em 2008, publicado em 2009, teria sido linxado na praça pública!)
Por muitos defeitos que o CT tenha, o verdadeiro ataque tanto aos trabalhadores, como aos empregadores cumpridores, é a falta de fiscalização, e a inexistência de meios eficazes para controlar o cumprimento da Lei.
Em relação às medidas anti-crise, o Orçamento que foi aprovado, e a pergunta que tão bem deixou lançada, de onde veio este dinheiro todo, é um facto que vem de um aumento do peso do estado na economia, da carga contributiva e do endividamento futuro.
Além de que estas medidas que foram tomadas para o curto prazo, poderão (e vão ter certamente) um efeito desastroso a médio/longo prazo na inflação.
Alias, vários economias e pessoas da área, fartaram-se de avisar e de o demonstrar. O tempo lhe dará razão, mas nessa altura, uma vez mais, os BE's, PC's e afins, se encarregaram de culpar esse terrível monstro, o "Capitalismo"..
Os exageros do OE2009, vão ser pagos muito caros, já a partir de Outubro... e não nos iludamos, seja qual for o vencedor, com ou sem maioria..
Caro Alberto.
Não tenho tempo para escrever e muito menos para responder de uma forma completa. Mas so queria deixar bem claro que sim somos de Esquerda Socialista isto do ponto de vista ideologico.
Contudo não se preocupe que ao contrario de muitos outros blogues de Direita NÃO IREMOS APAGAR a sua opinião.
É a diferença entre a Direita e Esquerda, nós lutamos pelo social e a Direita luta pelo capital.
Sinceramente,
B2R
P.S.:
Mas como não consegui resistir so uma pequena resposta:
Quem teve a brilhante ideia de por os salarios da maioria portuguesa foi o Sr. Cavaco Silva isto porque na altura com mão de obra barata conseguimos atrair bons investidores para venderem os seus produtos a preços competitivos.
O problema é/foi quando entrou nesse mesmo mercado outros paises com mão de obra barata mais barata como a China, e ate mesmo os paises do leste(falando ca na Europa).
É aceitavel que as empresas (PMEs) não tenham os recursos para aumentar os seus salários mas algo é certo, Portugal precisa do consumo interno e cada vez mais urgente.
Eu compreendo e concordo de uma forma plena consigo no que toca a fiscalização, não só do Codigo de Trabalho como em todos os sectores.
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