sexta-feira, 2 de maio de 2008

Religião...

Polémicas, polémicas, polémicas...
Todos os dias estamos rodeados por elas, no entanto, existem algumas que são intemporais... muitas coisas já se disseram sobre elas, muitos debates, muitas opiniões, mas passe o tempo que passar nunca haverá um fim para tais polémicas! É o caso da religião...

Poderia ter escolhido um tema mais "suave", digamos assim, para iniciar este blog, mas acho que um tema tão universal e tão controverso como este seria o ínicio de mais um debate interessante!

Deixo aqui um texto de Sigmund Freud, que me pareceu interessante (não significa, contudo, que concorde com tudo o que ele diz neste texto):

"O Falso Conforto da Religião

O homem comum entende como sendo a sua religião um sistema de doutrinas e promessas que, por um lado lhe explica os enigmas deste mundo com uma perfeição invejável, e que por outro lhe garante que uma Providência atenta cuidará da sua existência e o compensará, numa futura existência, por qualquer falha nesta vida. O homem comum só consegue imaginar essa Providência sob a figura de um pai extremamente elevado, pois só alguém assim conseguiria compreender as necessidades dos filhos dos homens ou enternecer-se com as suas orações e aplacar-se com os sinais dos seus remorsos. Tudo isto é tão manifestamente infantil, tão incongruente com a realidade, que para aquele que manifeste uma atitude amistosa para com a humanidade é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de estar acima desta visão de vida.

É ainda mais humilhante descobrir como é grande o número de pessoas, hoje em dia, que não percebem que essa religião é insustentável, e, no entanto, tentam defendê-la sucessivamente, numa série de lamentáveis actos retrógados. Gostaríamos de pertencer ao número dos crentes, para podermos advertir os filósofos que tentam preservar o Deus da religião substituindo-o por um princípio impessoal, obscuro e abstracto, e dizemos: «Não usarás o nome de Deus em vão!». Alguns dos grandes homens do passado fizeram o mesmo, mas isso não serve de justificação para nós; sabemos porque é que tiveram que o fazer."